Estou à procura de um livro para ler. É um livro todo especial. Eu o imagino como a um rosto sem traços. Não lhe sei o nome nem o autor. Quem sabe, às vezes penso que estou à procura de um livro que eu mesma escreveria. Não sei. Mas faço tantas fantasias a respeito desse livro desconhecido e já tão profundamente amado. Uma das fantasias é assim. Eu o estaria lendo e de súbito, uma frase lida, com lágrimas nos olhos diria em êxtase de dor e de enfim libertação: Mas é que eu não sabia que se pode tudo, meu Deus!
Minha liberdade é escrever. A palavra é o meu domínio sobre o mundo.
Eu só escrevo quando eu quero, eu sou uma amadora e faço questão de continuar a ser amadora. Profissional é aquele que tem uma obrigação consigo mesmo de escrever, ou então em relação ao outro. Agora, eu faço questão de não ser profissional, para manter minha liberdade.
Para aproveitarmos a liberdade temos que nos controlar.
A história da oposição dos homens à emancipação das mulheres é mais interessante talvez do que a história da própria emancipação.
Os olhos dos outros são prisões; seus pensamentos nossas celas.
Pensei o quanto desconfortável é ser trancado do lado de fora; e pensei o quanto é pior, talvez, ser trancado no lado de dentro.
Sem espaço, um ator é nada mais que um robô insignificante com um tórax repleto de botões.
Não tem jeito de ser verdadeiramente notável neste mundo. Estamos todos impalados nas curvas da condição.
Eu sou um homem livre.