Ninguém fica uma semana, hoje, numa capital da Europa com 1000 dólares por semana, a menos que se dedique à mendicância, à prostituição, ou seja faquir.
O sonho acordado é ter dinheiro suficiente para viver num país em que eu não saiba a língua e o que está acontecendo.
O único sistema político moral é o anarquismo, que não é factível, porque teria também de ser imposto, e recorrer à força, deixando de ser o que pretende.
Onde quer que se viva, sempre parece o centro do mundo.
A alma do homem, ao contrário do que diz Oscar Wilde, não é socialista.
É o meio político brasileiro. Só se pode tolerá-lo tapando as narinas.
A vida é muito mais variada, anárquica e imprevisível do que sonham os ideólogos.
Minorias decididas fazem o mundo, em grande parte.
As elites, no Brasil, não acreditam, no íntimo, na soberania do povo. As diferenças entre elas e o populacho é de tal a ordem que a sabem intransponível e insuperável, a não ser naquele prazo tão longo que, na frase de Keynes, estaremos todos mortos.
É extraordinária a relativa imunidade que a Igreja gozou todos esses anos na demonologia de nossos nacionalistas e esquerdistas. Arnold Toynbee, protestante, escreveu que, tendo cometido tantos crimes sem morrer, talvez a alegação de que é de origem divina seja verdadeira.