Biografia de Jânio Quadros

Jânio da Silva Quadros: 1917/1992


1917
Às 11 horas da quinta-feira, 25 de janeiro, nasce Jânio da Silva Quadros, à Rua 14 de Julho, em Campo Grande (Mato Grosso do Sul). São seus pais o médico e engenheiro agrônomo Gabriel Nogueira Quadros e Leonor da Silva Quadros.

1924
A família Quadros muda-se de Mato Grosso para o Paraná, passando antes por várias cidades do interior paulista. Em Lorena, a última delas, o menino Jânio é matriculado no curso primário do Colégio dos Salesianos. Ele conclui o primeiro ano de estudos ? e depois todo o primário ? no Grupo Escolar Conselheiro Zacarias, de Curitiba.

1928
Jânio inicia o curso ginasial no Instituto Santa Maria, também em Curitiba.

1930
Gabriel Quadros luta contra a Aliança Liberal na Revolução. Em represália, perde os empregos públicos no Paraná e muda-se novamente, com toda a família, para São Paulo. Jânio, em conseqüência, perde o ano escolar.

1931
Jânio Quadros matricula-se no Colégio Arquidiocesano para concluir o ginásio.

1933
Em novembro, ele termina o curso ginasial. A família Quadros propicia uma vida modesta para os filhos Jânio, então com 16 anos, e Dirce, de 14. (Dirce faleceu aos 15 anos).

1934
Ao final do ano, Jânio conclui o curso preparatório à Faculdade de Direito de São Paulo, que irá cursar a partir de 1935.


1936
Aumentam os problemas financeiros da família Quadros. O estudante Jânio não pode pagar a segunda prestação da anuidade escolar e pede moratória ao diretor da faculdade, Francisco Morato.

1938
Professor de Geografia e Português nos ginásios Dante Alighieri e Vera Cruz, em São Paulo, Jânio disputa sua primeira eleição, pelo Partido Acadêmico Conservador. Candidata-se a primeiro-secretário do Centro Acadêmico XI de Agosto, na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, e elege-se após uma campanha em que pediu cada um dos votos pessoalmente. No mesmo ano, passou a integrar a Associação Acadêmica Álvares de Azevedo e a ocupar a cadeira Castro Alves da Academia de Letras da Faculdade de Direito. Escreve versos para as publicações de estudantes.

1940
Em 16 de janeiro, Jânio recebe o grau de bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais. Inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil sob o n.º 3.805, em 14 de outubro, inicia uma carreira na área criminal que duraria sete anos.

1942
Casa-se com Eloá, filha de um farmacêutico do bairro paulistano do Bom Retiro.

1943
Nasce sua única filha, Dirce Maria, a Tutu, com quem manterá a vida toda uma relação de ódio e afeição.

1947
Filiado ao Partido Democrático Cristão (PDC), Jânio se elege vereador, com 1.707 votos, em 9 de novembro. Recordista de projetos e requerimentos na Câmara Municipal, marca sua atuação por polêmicas em plenário que, pelo menos uma vez, terminaram em agressão física contra ele.

1950
Em 3 de outubro, escolhido por 17.840 eleitores, torna-se o deputado mais votado na Assembléia Legislativa de São Paulo, pelo mesmo PDC.

1953
Apoiado pelos minúsculos PDC e Partido Socialista Brasileiro, enfrenta uma coligação de sete legendas (PSP, PTB, PSD, UDN, PRP, PR e PRP) e conquista a Prefeitura da capital com 284.922 votos ? mais que o dobro de todos os outros candidatos juntos. Batiza sua empreitada de ?revolução branca através do voto? e realiza uma administração saneadora das finanças municipais.

1954
Licencia-se por três meses do cargo de prefeito e parte para sua primeira viagem ao exterior, levando a mulher Eloá e a filha tutu. Conhece as cidades de Paris e Roma, a convite das prefeituras locais. Jânio fora lançado em janeiro para a disputa do governo do Estado e venceria a eleição de 3 de outubro com 660.264 votos.

1955
Deixa a Prefeitura em 31 de janeiro, para assumir o governo do Estado. Exerce novamente um governo moralista, com controle do dinheiro público e transformação do déficit estadual em superávit.

1956
Jânio empreende sua segunda viagem ao exterior. Leva a mãe, a esposa e a filha aos Estados Unidos, França e Inglaterra, num período de 60 dias. Alega um tratamento de saúde e faz declarações defendendo reatamento com os países comunistas.

1957
Em 18 de maio, morre assassinado seu pai, Gabriel Quadros, então deputado federal. Jânio declara encerrada sua carreira política. Desafia determinações de censura a rádio e televisão do Departamento Federal de Segurança Pública. Em dezembro, registra sua candidatura a deputado federal pela seção paranaense do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB).

1959
Deixa o governo paulista em 31 de janeiro para assumir a cadeira de deputado pelo Paraná, que conquistara em 3 de outubro do ano anterior, com o recorde estadual de 78.810 votos. Em abril, o Partido Trabalhista Nacional lança-o candidato à sucessão de Juscelino Kubitschek. Apoiado pelo PDC, começa a campanha, mas renuncia e 25 de novembro, numa manobra que leva Carlos Lacerda a promover uma bem-sucedida campanha para que reassuma a candidatura. Conquista também o apoio da UDN e do PL.


1960
Visita Havana, a convite de Fidel Castro. Anda mais de 500 horas de avião durante a campanha presidencial. Em 3 de outubro, derrota o marechal Henrique Teixeira Lott, com 1,8 milhão de votos de diferença. Obtém 5.636.623 votos para a Presidência da República, ou 48, 57% do total dos votos. Após a eleição, submete-se a uma cirurgia nos olhos, em Londres. Banha o prêmio de ?revelação do ano? na diretoria do Clube dos Comentaristas de Discos, pelo rock-balada Convite de Amor, uma parceria com Rossini Pinto, gravada pela Copacabana. A letra diz que o mundo é ?uma imensa esfera de harmonia e luz / e a vida é sempre eterna primavera / que encanta e seduz?.

1961
Assume a Presidência em janeiro. Condecora Che Guevara com Grã-Cruz do Cruzeiro do Sul e, sem maioria no Congresso, enfrenta dura oposição a seu governo. Renuncia em 25 de agosto e dois dias depois viaja para Londres, a bordo do cargueiro Uruguai Star.

1962
Retorna ao Brasil em março, lança-se candidato a governador de São Paulo e sofre sua primeira derrota nas urnas, para Adhemar de Barros. Recebe 1.125.941 votos, contra 1.249.414 do adversário.

1964
Queixa-se do regime militar em carta ao marechal-presidente Castelo Branco e tem os direitos políticos cassados pelo prazo de dez anos.

1966
Lança seu Curso Prático de Língua Portuguesa e sua Literatura, em seis volumes.

1967
Lança , com a colaboração de Afonso Arinos, a História do Povo Brasileiro, também em seis volumes.

1968
É punido por pronunciamentos de caráter político, com um confinamento de quatro meses em Corumbá (MT).

1974
Recobra seu título eleitoral, mas se mantém afastado da disputa de cargos públicos.



1976
Nasce o pintor Jânio Quadros, que roda o país com uma exposição de uma série de óleos que chama de ?Minhas bonecas?.

1979
Admite retornar à vida pública, como candidato à sucessão do governador paulista, Paulo Maluf.

1980
Filia-se ao PTB da deputada Ivete Vargas, mas deixa o partido no ano seguinte.

1981
Assina filiação ao PMDB em junho, mas acaba barrado por uma impugnação da Executiva Nacional do Partido em outubro. Apenas Orestes Quércia , Alencar Furtado e José Storópoli votam a seu favor nessa decisão. Volta para o PTB em novembro.

1982
Surge como candidato do PTB ao governo de São Paulo, na primeira eleição direta após o golpe de 1964. antes da eleição visita o presidente da Líbia, Muamar Kadafi, e sai do encontro elogiando ?seus esforços pela paz mundial?. Termina em terceiro lugar, com 1.447.328 votos, contra 5.209.952 do eleito Franco Montoro, do PMDB.

1983
Lança quinze contos, livro recebido a pedradas pela crítica (prefaciados por José Sarney e Mário Palmério ? ambos da Academia Brasileira de Letras).

1984
Às voltas com um câncer de mama, Eloá submete-se a uma cirurgia em São Paulo.
Jânio lança-se candidato à Prefeitura de São Paulo em 30 de abril.


1985
Pelo mesmo PTB, elege-se prefeito da capital paulista com 1.572.454 votos.
A vitória na eleição para a Prefeitura de São Paulo, em 1985, representou a volta política de Jânio Quadros, depois de 24 anos, 2 meses e 20 dias de sua renúncia da Presidência da República, em agosto de 1961.
Jânio venceu o senador Fernando Henrique Cardoso ? que disputou a eleição pelo PMDB, hoje no PSDB ? por uma diferença mínima.
Seu mandato durou três anos. Após a vitória do PT, em 88, e antes mesmo da posse de Luiza Erundina em janeiro de 89, Jânio deixou o país para uma viagem com a mulher Eloá. A nova prefeita foi empossada pelo então secretário de Negócios Jurídicos, Cláudio Salvador Lembo.

1986
Assume o cargo de prefeito e pendura no seu gabinete um par de chuteiras, aposentando-se das disputas eleitorais.

1987
Descobre-se que Jânio mantém uma conta numerada em Genebra, na Suíça.

1989
Não comparece à entrega do cargo à prefeita petista Luiza Erundina. Embarca para os EUA e a Europa, de onde passa a alimentar a imprensa com especulações sobre sua candidatura à Presidência da República. Sofre um acidente vascular cerebral durante a viagem ? o primeiro de uma série de derrames, que terminariam por entrevá-lo numa cadeira de rodas.

1990
Em fevereiro, afirma-se disponível para disputar o governo estadual outra vez. Em julho, sofre novo derrame cerebral. É internado no Incor em outubro, em estado grave. Volta para casa entrevado, numa cadeira de rodas. Em novembro, perde a mulher Eloá e passa a receber uns poucos amigos, primeiro em sua mansão no Morumbi e depois num quarto de apart-hotel.


1992
Em 16 de fevereiro, falece o ex-presidente Jânio Quadros.




BIBLIOGRAFIA


VALENTE,Nelson. Fi-lo porque quis.São Paulo O Artífice Editorial.São Paulo,2002.

BROSSO, Rubens.VALENTE, Nelson. Elementos da Semiótica. Comunicação Verbal e Alfabeto Visual.São Paulo.Panorama,2000.

VALENTE,Nelson. O processo de comunicação do político Jânio da Silva Quadros numa perspectiva da semiótica peirceana.São Paulo:Dissertação ( Mestrado em Comunicação e Mercado).Fundação Cásper Líbero,1995.

VALENTE, N.: Jânio e Saulo. Rio de Janeiro, Vozes, 1992.
________________: A vida de Jânio em Quadros. São Paulo, Nacional, 1993.
______ Jânio de fio a pavio. 2ªed., São Paulo: Edicon, 1996.
_______ Jânio Quadros face a face com a renúncia. São Paulo: Panorama, 1997.
_______ Luz... câmera... Jânio Quadros em ação: o avesso da comunicação. São Paulo, Panorama, 1998.
_______ Retalhos de uma República. São Paulo: Panorama, 1999.
DEPOIMENTOS do próprio ex-presidente Jânio Quadros e políticos ao Autor.





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